Aparecida Ramos -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

Perfil
 
Só um pouco de mim
Alguém movida pelo maior dos sentimentos... o amor!
Alguém capaz de, se preciso for, ir ao encontro da outra pessoa, ainda que esta tenha lhe ferido, para estender-lhe a mão.
Um ser humano cheio de imperfeições, mas imbuído de um propósito maior: conhecer-se cada vez mais para, assim poder conhecer um pouco mais os outros, compreendê-los e amá-los sempre mais.
Estender a mão a quem realmente precisa é gesto de humanidade.
Perdoar a quem nos ofende é caridade mútua: para quem o recebe e para quem perdoa. Para mim, sem dificuldade. As ofensas doem, causam certa raiva, mas tudo é passageiro. 
Bom mesmo é perdoar..., sentir-se leve e ser feliz, independente dos momentos que virão com outras necessidades de perdão.
E dentro dos enganos, falhas e erros que também cometo, espero ser, possivelmente, compreendida e perdoada.
Que meus maiores gestos não sejam por mim, mas em prol daqueles que estão comigo ou de mim venham se aproximar.
Um beijo.

“Não devemos ter medo de nos confrontarmos… até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas”.
– Charles Chaplin –


Sem Palavras

Brancas, suaves mãos de irmã 
Que são mais doces que as das rainhas, 
Hão de pousar em tuas mãos, as minhas 
Numa carícia transcendente e vã. 

E a tua boca a divinal manhã 
Que diz as frases com que me acarinhas, 
Há de pousar nas dolorosas linhas 
Da minha boca purpurina e sã. 

Meus olhos hão de olhar teus olhos tristes; 
Só eles te dirão que tu existes 
Dentro de mim num riso d’alvorada! 

E nunca se amará ninguém melhor; 
Tu calando de mim o teu amor, 
Sem que eu nunca do meu te diga nada!... 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"





Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou maduro bastante ainda. Ou nunca serei.”

Clarice lispector








 
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