Aparecida Ramos -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

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CARTA AO AMOR TÃO QUERIDO
 
Amor, você me fez voltar... me fez voltar
no tempo em que eu, adolescente, escrevia
lindas cartas de amor, não somente as"minhas",
mas de amigas que me pediam para escrever por elas.

 
Amor da minha vida,
permita que eu continue te chamando de anjo... Sabe, para mim é o que você representa, um anjo sem asas, mas um anjo em pessoa. Ah! Como é gostoso receber teus abraços, me sentir envolvida em teus braços fortes, que para mim são asas de um anjo humano a me aconchegar! Como é maravilhoso ouvir tua doce voz que me acaricia ainda que esteja distante algumas vezes.
Meu anjo lindo, jamais se sinta sozinho, nem abandonado. Ainda que em determinados momentos a tristeza ou a solidão ousem se aproximar de ti, lembre que eu existo, e em qualquer lugar onde estiver estou e estarei contigo em meu coração!
Sabe, nas tuas ausências gosto de ficar ouvindo aquela canção que marcou o nosso primeiro encontro e a nossa maravilhosa história de amor! Confesso que, ao fechar os olhos consigo te sentir ao meu lado, suas mãos acariciando meu rosto, meus cabelos, meu corpo inteiro, e seu olhar refletido no meu, com tanta ternura que me faz adormecer.
Sabemos que somos saudade um do outro, e a lembrança que gostamos de ter em nossas ausências, e tu és assim... como se fosses um pedaço bom de mim!
Meu amor tão querido, o tempo às vezes é lento e nos machuca quando nos faz ficar distantes. Mas sabemos que brevemente estaremos juntos para que possamos matar essa saudade que tem nos feito sofrer.
Aqui, sob a luz do luar, contando os dias que faltam para te encontrar... para sentir novamente teu perfume... o sabor dos teus beijos, o calor dos teus abraços, do teu corpo envolvente e o sussurro de tua bela e doce voz que me faz arrepiar e delirar de tanto amor!
Sei o quanto sentes minha falta e o quanto gostas de estar comigo, de receber meu carinho, compreensão e todo amor que para ti guardei.
Se não for pedir demais, não te demores tanto. Estou à tua espera e louca para te reencontrar e te provar o quanto te amo e o quanto irei te amar por toda minha vida!!

Fica bem... 
Te deixo doces beijos e meu carinho!!
Seu amor apaixonado!!
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P.S.:

O "amar" em si não significa ter certeza, inclusive porque ninguém tem certeza de nada, com exceção de nossa breve passagem terrena. Amar é aceitar que ninguém é perfeito; é ter o direito à "liberdade" para ser vocẽ mesmo sem precisar fingir. Amar é respeitar a individualidade do/a outro/a; é tentar esquecer e não conseguir!
É triste quando se vive de aparências, porque passou a existir ou se criou a necessidade de em nome do "amor" cercear a liberdade do/a outro/a.  Refiro-me à liberdade responsável, ao respeito pelo ser.
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Mesmo na condição de sempre aprendiz, particularmente gosto das cartas de amor, e principalmente gosto de escrevê-las. Talvez pelo fato de amar a humanidade, amar  com ou sem razão, e por haver  escrito muitas dessas cartas em uma época em que poucas pessoas sabiam ler e escrever. E pouquíssimas liam o que conseguiam pôr no papel. Foi assim que fui durante alguns anos, escrevedora de cartas, não só de amor entre casais de namorados, noivos ou casados, mas cartas de mães para filhos ausentes, às vezes reclamando das ausências, do esquecimento, do quase abandono, ou  tantas vezes"borrando" o papel com lágrimas de saudades.
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Não importa se alguém as acha"ridículas." Talvez essa maneira de ver, seja porque não escreve, não gosta de ler (as mesmas) ou porque não sabe que quem ama verdadeiramente, às vezes faz papel ridículo mesmo! Porque amar não é para qualquer pessoa...  Para amar é preciso, além do próprio amor, é necessário ousadia; é estar disposto a ser visto como ridículo e não se aborrecer com isso. Amar mesmo é uma loucura boa... porque também exige altas doses de sanidade! rs
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Por Álvaro de Campos
(heterônimo de Fernando Pessoa)


Todas as cartas de amor são

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

Álvaro de Campos


 
Aparecida Ramos(Ísis Dumont)
Enviado por Aparecida Ramos(Ísis Dumont) em 27/05/2019
Alterado em 29/05/2019
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