Aparecida Ramos -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

Textos

O MALIGNO EM DOIS CHIPS

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Depois de nossa última conversa não tenho mais dúvidas: o "Mal" é bissexual. Preste atenção, por favor, aqui não vai sequer a intenção de nenhuma forma de preconceito!
       
Otávia, esse é o nome fictício de uma amiga, por sinal uma das poucas amigas de infância que mora em cidade da mesma região onde resido. Era o dia do aniversário de seu filho caçula. Otávia sempre faz questão de comemorar os aniversários dos filhos, inclusive dos dois que residem distante. Mesmo diante da ausência quando a vinda deles não coincidem com as datas, ela sempre arranja uma forma especial de comemorar em família, tirar algumas fotos e enviar para eles. Nunca conheci uma pessoa tão animada, criativa e festiva quanto Otávia. Digo-lhe que ela me inspira, às vezes, e é verdade.
Minha amiga é uma mulher batalhadora, trabalha bastante para ajudar o marido, e inclusive, alguém da família, ou conhecidos, em caso de necessidade. Há três anos, seu coração extrapolou os limites da bondade e do amores materno e fraterno simultaneamente. Apesar das discordâncias de sua mãe e irmãos, minha amiga tornou-se mãe adotiva. Adotou duas crianças de uma mesma família. Os irmãos estão agora com 5 e 6 anos. E ela está super feliz, tendo em vista que seus dois netos moram em outros Estados e Regiões diferentes. Hoje eu tenho certeza de que essas crianças vieram para encher de mais alegria e felicidade o mundo de Otávia e Paulo José. O casal ama os filhos adotivos como se fossem filhos biológicos ou até mais que isso.  E os irmãos mais velhos quando vem visitá-los, enchem os dois pequenos de mimos e presentes.
Otávia é realmente uma mulher realizada, pois, em nossos encontros sempre deixou claro que ser mãe adotiva era um de seus maiores sonhos!

Agora que já lhes apresentei um breve histórico da vida dessa família maravilhosa e tão querida por quase todas as pessoas que a conhecem, vamos ao assunto cuja introdução iniciei logo após o título.
Nosso último encontro foi casual. Eu viajei de ônibus para outra cidade e minha amiga também estava lá. Nos encontramos na Rodoviária, mas precisamente na Lanchonete Central. Depois de nos cumprimentarmos, conversa vai, conversa vem, e Otávia me pediu para nos afastarmos da presença do público, pois, segundo ela, tinha algo muito sério para me confidenciar. Naquele momento, confesso, senti um misto de surpresa e curiosidade.
Otávia segurou meu braço esquerdo e fez com que atravessássemos a rua e sentássemos em um banco da Praça, em frente ao terminal rodoviário. Lembro-me que minha amiga respirou fundo umas duas vezes antes de começar a falar. Com o rosto vermelho, a voz embargada e os olhos marejando de lágrimas, me contou que na noite do domingo anterior havia retornado com seu esposo e as duas crianças, de um evento religioso na Igreja da qual participa, quando seu telefone tocou. Atenciosa e muito educada como sempre, foi logo atender. Do outro lado uma voz conhecida (de mulher) lhe dizia que estava praticando "atos obcenos" os quais ela falou com todas as letras, pensando nela (Otávia). Nas primeiras palavras, Otávia sem entender do que se tratava, pois ainda não havia assimilado as palavras, perguntou quem estava falando, apesar de conhecer a voz. A pessoa perguntou-lhe se não estava conhecendo e mencionou seu nome. E ainda falou sobre seu orgão sexual como se homem ela fosse. Minha amiga não permitiu que ela concluísse e desligou rapidamente, bloqueando o número logo em seguida. Otávia me falou que ficou sem chão naquele momento, por não compreender o tamanho da maldade, da falta de caráter do ser humano,  e mais por se tratar de pessoa conhecida, e, aparentemente acima de qualquer suspeita. Otávia, ainda visivelmente incomodada, falou que uma semana depois a tal pessoa voltou a lhe importunar, dessa vez teve a ousadia de camuflar a voz, como se isso adiantasse qualquer coisa. Ao dizer: "Alô!" a pessoa apenas teve tempo de falar uma palavra, (a qual aqui não ouso pronunciar) naquele  instante, Otávia desligou e bloqueou rapidamente esse outro chip. Depois desse segundo contato absurdo e muito desrrespeitoso assim como o primeiro, a megera inconveniente não mais retornou. Juntas pensamos que esse ser desprovido de bom senso, de caráter e vergonha na cara, subestimou a inteligência de Otavia, a ponto de tentar fazê- la  acreditar que se tratava de um homem, mediante todas as suas poucas falas. Chegamos também a outra conclusão: por não haver mais feito contato, deve ter faltado dinheiro para adquirir mais um chip e para colocar crédito no aparelho ou... talvez perdeu a esperança de ter um "caso" com alguém que jamais faria isso, nem nunca lhe permitiu esse tipo de liberdade. E mais: está comprovado que esses dois chips do Ma,l simplesmente não recebem chamadas!
Bem dizia minha avó materna: "Para se encontrar com o diabo nem precisa fazer madrugada."
Ísis Dumont
Enviado por Ísis Dumont em 07/11/2019
Alterado em 11/11/2019
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