Aparecida Ramos -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

Textos


 

AMOR NÃO É PARA QUALQUER UM/A

"Um dia, você se pega ali, ouvindo a previsível batida daquele coração, e a certeza do amor vem como uma bigorna gentil. Vocês, que fizeram pactos silenciosos e promessas não ditas, na mais pura e singela devoção, agora estão deliciosamente presos pela liberdade que decidiram compartilhar. Existe uma nudez serena entre vocês, transcendendo a pele ansiosa e alcançando a alma faminta, numa dança singular.
Há dias em que nem terno preto ao som de Marcha Fúnebre disfarça o brilho de uma grande descoberta. Dias em que dançar pelado, sem quê nem porquê e ao som do silêncio, faz tanto sentido quanto se cobrir do frio ou lavar o rosto cansado. Descobrir o amor é assim. Ele começa apaixonado, estabanado, procurando a medida exata daquilo que ainda não conhece bem. Confunde a mente, chora inseguro, faz alvoroço, como uma criança birrenta, e, num pávido anúncio publicitário, berra: “cheguei, querido, agora não tem pra ninguém”.
O amor judia um pouco antes de virar adulto. Às vezes, faz as malas e vai embora, prematuro, incompreendido, quando a incongruência não se transpõe. Mas, se resiste forte, conhece a calmaria e descobre a redenção, e a certeza de sua chegada se espalha como um mar de plenitude nos corações jubilados pela graça sossegada que só um sonho bom consegue desenhar.
O mundo melhora quando alguém começa a amar. Quem ama de verdade emana bondade, frescor paciente, calma sincera. Quem ama de verdade é ridículo o tempo todo, seja na fala mansa de contentamento, ou nos versos espontâneos que surgem quando se dá à filosofia sobre o mundo, a vida, ou qualquer singeleza que subitamente lhe desperte poesia.
Amor é passagem só de ida. Ao chegar, revolve tudo até se acomodar. Cura feridas, limpa mágoas, seca lágrimas, até que bate as mãos e se instala feliz na tranquilidade que conquistou. Uma vez bem alojado, demanda esforço e atenção, num prazeroso cuidado que dispensa migalhas e só se serve de verdade se for da quitanda inteira.
Se um dia acontece de partir, fica a certeza de que ele foi infinito enquanto durou. O coração que tanto se deu carregará para sempre a tatuagem da história vivida. Não é para qualquer um, amigo, não é para quem quer. Amor não tem volta. A entrega exige coragem e uma boa dose de sandice.
Quisera eu todo mundo amasse muito, sempre e cadenciadamente. Quisera houvesse mais canções a quatro mãos, alegria dividida e sinergia compassada. Seria o mundo menos caótico e os homens, certamente mais longevos.
Amor não tem definição, tempo, lugar, nada. Tentaram Houaiss, Camões, Paulo de Tarso, Vinícius e o mundo inteiro. Tento eu, tentamos nós, e ele sorri esquivo na certeza de sua fluida escapada de sucesso. Por ele, sempre valerá a pena lutar, escrever uma crônica piegas e… viver!"

POR LARA BRENNER
EM CRÔNICAS
Gostei muito dessa Crônica, por isso quis compartilhar com vocês!
Beijos com afetos!
Lindo fim de semana!!
 
Ísis Dumont e Lara Brenner
Enviado por Ísis Dumont em 31/05/2019
Alterado em 31/05/2019
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